Um dia desses alguém se disse surpreso ao analisar com calma as coisas que escrevo nos espaços que possuo, as músicas que menciono, os trechos que parafraseio. E fui surpreendida com uma avaliação pré-concebida de quem era eu.
Sendo assim, eu, se tratava de alguém triste, inconformado, infeliz.
Só entao me apercebi do grande temor que circunda a maior parte das pessoas. Um enorme torpor lhes surge na face ante a simples possibilidade de considerar a ação de refletir. Refletir sobre que há. refletir sobre o que está por vir. Refletir sobre tudo o que já se fez.
E então, curiosa como sou, busquei nos meus arquivos justificativas para todo aquele temor. E além disso, uma grave pergunta insistia em ecoar dentro de mim: eu sou triste?
E foi só então que eu percebi que a vida é plena, é intensa, é profunda. E como tudo que assim o é, ela tem diferentes fases, diferentes faces.
Ora ou outra ela é triste. Mas a sua tristeza, traduzida pela janela com o que vemos tudo o que há, é uma tristeza finita, tendo em vista que - felizmente - toda tristeza se finda. E nesse aspecto, o nosso grande aliado é o tempo.
Pois é, compreendo isso. Mas ainda assim não tinha respostas para minhas perguntas: por que tanto temor? Sou eu uma figura triste?
Díficil é abrir a janela e encarar o que se encontra, quando o que está do outro lado é um espelho. Por mais que narciso ache feio tudo o que não é espelho, por trás do seu reflexo, ele só enxerga o que deseja.
Talvez aí resida o temor: aperceber-se fora dos padrões do suportável. Para não correr o risco, deixamos de olhar. E assim, nós tornamos aos poucos sujeitos permissivos, incorrendo num risco da evolução desnudar-nos da capacidade até então a nós concedida com exclusividade, mas que vem tornando-se ociosa, o que a subentende dispensável: a capacidade de pensar.
Eu não o desejo, não desejo perder tal capacidade. Então sigo pensando, refletindo, chorando, sorrindo, vivendo. E isso me faz feliz, outrora me faz triste. Mas acima de tudo, me faz humana. E isso me basta.
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