Todos os dias ouvimos o bordão: tudo passa!
Mas sabemos, contudo, o quanto é difícil existir. O quanto nos é doído conviver com nós mesmos.
Fico me perguntando porque o ser humano insiste tanto em praticar o apego. Qual seria o verdadeiro motivo para que julguemo-nos proprietários de outros humanos que nos circundam?
Isso é fato. Até porque se não o fosse não sentiríamos tanta falta do outro que se foi.
Se foi porque encerrou seu tempo nessa casa. Se foi porque não queria mais nossa companhia. Se foi porque encontrou novos espaços para desbravar. Ou se foi simplesmente porque não consegue estar apenas em um lugar.
Seja qual for o motivo, seja qual for o tempo, seja qual for a condição, somos assolados pela praga do luto.
E ousaria dizer que essa é uma de nossas dores mais sentidas e remoídas.
É sabido que o ser humano tem a digna capacidade de adaptar-se. Mas quando se refere ao luto, preferimos transformarmo-nos em seres imutáveis, incapazes, a fim de viver em toda a sua plenitude o torpor do luto.
E assim, tornamos tardes frias, de chuva fina, que insiste em molhar nossas janelas, em longos períodos de inverno.
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