domingo, 7 de abril de 2013
Reflexões de um momento qualquer...
Existem alguns momentos em que só as palavras nos libertam. E eu preciso da liberdade, então escrevo...
E eis que de repente, Alice olhou para fora da toca. E o que ela viu foi uma escuridão muito maior do que aquela encontrada no buraco. Não lhe agradava a imagem do espelho. Por isso ela foi embora da terra da fantasia. Mas agora, do lado de fora, ela finalmente compreendia. Finalmente podia entender que a imagem desfigurada, tosca e rude que encontrava toda vez que estava diante daquele espelho nada mais era do que o reflexo guardado na sua memória de tudo o que havia visto do lado de fora. E então ela viu. Contudo, mais que depressa, ela desejou não ter olhos de ver, porque no meio daquela escuridão ela viu a fraqueza e a miséria da alma humana. E isso lhe causou um enorme torpor. Assustador, não doloroso. Dor já não sentia mais. A vida naquela escuridão tão reluzente havia lhe ensinado a "des-sentir". E agora ela podia conviver amigavelmente com a dor.
Mas o que não podia, era dar se conta de que o castelo de areia, a rainha de vento e o negro do buraco eram mais proveitosos e divertidos do que aquela liberdade.
Ela pedia: preciso da minha cegueira de volta. Enxergar é forte demais!!!!
Pensamentos sobre um dia que já se foi...
Houve um tempo, quando eu ainda era criança, em que eu acreditava em anjos. O imaginário infantil era quem dava vida a esses seres.
Eu cresci. Literalmente. E as agruras da vida adulta foram dissipando em mim o colorido da imaginação de criança.
Uma das primeiras lições que aprendi, cedo demais até, foi que quem chora, lamenta ou espera demais no outro, perde tempo.
E assim fui tecendo minha teia de suposições sempre calcadas na razão, minha grande senhora.
Contudo, toda brincadeira cansa. E mesmo a razão suprema tem seu prazo de validade.
Mas comumente não nos apercebemos de tal fato, não pessoas como nós (meus amigos que o sabem...), até que algo maior nos aponta claramente um novo caminho.
Então toda aquela clareza da vida racional se torna a nós tola e inútil.
De repente passamos a esperar por Alice saindo da toca, contando suas histórias, enquanto marcamos as horas no relógio do coelho.
Ironia essa, todo o discernimento que nos compôs por tanto tempo precisa ser deixado do lado de fora da toca. Afinal, seremos pequenos. Pequenos o bastante para enxergar maiores as grandes aventuras da vida, que ainda estão por nos esperar. Pequenos o bastante para aceitar a ajuda dos novos amigos, nossos anjos, a fim de combater a Rainha de Copas.
Anjos? Mas como assim, anjos?
Pois é, a essa altura, eu já fui apresentada a pelo menos um deles.
Porque foi um anjo que me apareceu, e sussurrou no meu ouvido, de modo que jamais poderia esquecer ou ignorar: "vem comigo, porque as utopias e ilusões também fazem parte da vida".
E agora, mais do que nunca, conheço os riscos dessa floresta. Sou consciente de que se algo der errado, provocará mudanças irreversíveis. Posso jamais voltar a ser grande. Posso me machucar nos espinhos das flores.
Mas, pensando bem, agora que deixei a razão do lado de fora da toca, quem disse que eu quero ser grande de novo?
Afinal, observe, os anjos sempre cuidam dos pequenos. E eu desejo fortemente, anjo, que você cuide de mim...
Essa sou eu, Aline, entrando no mundo de Alice, o mundo das maravilhas...
Essa é minha história hoje. Mas só hoje. Porque amanhã é um novo dia. E daí, amanhã, eu a reescrevo.
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