Vida pensante
Espaço para rascunhar a vida que se passa na janela da minha história
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Metamorfose
O ser humano é sim "uma metamorfose ambulante". Somos capazes de passar vidas inteiras em busca de algo considerado a nós inatingível.
E mais ainda, somos capazes, de ao nos defrontar com todo o inatingível com o qual sonhávamos, nos perceber frustrados.
Porque construir planos não nos concede a garantia de felicidade.
E não sonhar nos aprisiona.
Sendo assim, passamos metade do tempo a esperar pelas realizações, e a outra metade a constatar o quanto elas são incapazes de nos fazer felizes.
A condição humana é uma grande ironia.
Reencontrar
Estou de volta. Muitas primaveras e invernos depois, resolvi recomeçar. Ou seria continuar?
Novos ares começam a exalar dentro de mim.
Sinto que o meu verão quer chegar. Aquecer o coração. Transformar o verde.
E parece que o tempo de abrir as portas é esse. Comecemos então pelo que nos consome por dentro.
Por aquilo que verdadeiramente nos constitui.
Num mundo de fragilidades e frivolidades, a palavra ainda tem o poder de libertar.
Por muitas vezes, ouvi a voz que sussurrava dentro de mim, clamando por liberdade.
Agora, ela grita.
Nunca esteve tão claro o quanto a vida é um sopro fugaz.
E não cabe mais viver cada momento esperando o novo inverno.
Ao invés disso, vou desenhar flores para as árvores, aquecer os corações com fogueiras, e criar a minha própria primavera.
E que venha o novo, o velho, o recomeço, e o novo começo.
É hora de despertar!
domingo, 7 de abril de 2013
Reflexões de um momento qualquer...
Existem alguns momentos em que só as palavras nos libertam. E eu preciso da liberdade, então escrevo...
E eis que de repente, Alice olhou para fora da toca. E o que ela viu foi uma escuridão muito maior do que aquela encontrada no buraco. Não lhe agradava a imagem do espelho. Por isso ela foi embora da terra da fantasia. Mas agora, do lado de fora, ela finalmente compreendia. Finalmente podia entender que a imagem desfigurada, tosca e rude que encontrava toda vez que estava diante daquele espelho nada mais era do que o reflexo guardado na sua memória de tudo o que havia visto do lado de fora. E então ela viu. Contudo, mais que depressa, ela desejou não ter olhos de ver, porque no meio daquela escuridão ela viu a fraqueza e a miséria da alma humana. E isso lhe causou um enorme torpor. Assustador, não doloroso. Dor já não sentia mais. A vida naquela escuridão tão reluzente havia lhe ensinado a "des-sentir". E agora ela podia conviver amigavelmente com a dor.
Mas o que não podia, era dar se conta de que o castelo de areia, a rainha de vento e o negro do buraco eram mais proveitosos e divertidos do que aquela liberdade.
Ela pedia: preciso da minha cegueira de volta. Enxergar é forte demais!!!!
Pensamentos sobre um dia que já se foi...
Houve um tempo, quando eu ainda era criança, em que eu acreditava em anjos. O imaginário infantil era quem dava vida a esses seres.
Eu cresci. Literalmente. E as agruras da vida adulta foram dissipando em mim o colorido da imaginação de criança.
Uma das primeiras lições que aprendi, cedo demais até, foi que quem chora, lamenta ou espera demais no outro, perde tempo.
E assim fui tecendo minha teia de suposições sempre calcadas na razão, minha grande senhora.
Contudo, toda brincadeira cansa. E mesmo a razão suprema tem seu prazo de validade.
Mas comumente não nos apercebemos de tal fato, não pessoas como nós (meus amigos que o sabem...), até que algo maior nos aponta claramente um novo caminho.
Então toda aquela clareza da vida racional se torna a nós tola e inútil.
De repente passamos a esperar por Alice saindo da toca, contando suas histórias, enquanto marcamos as horas no relógio do coelho.
Ironia essa, todo o discernimento que nos compôs por tanto tempo precisa ser deixado do lado de fora da toca. Afinal, seremos pequenos. Pequenos o bastante para enxergar maiores as grandes aventuras da vida, que ainda estão por nos esperar. Pequenos o bastante para aceitar a ajuda dos novos amigos, nossos anjos, a fim de combater a Rainha de Copas.
Anjos? Mas como assim, anjos?
Pois é, a essa altura, eu já fui apresentada a pelo menos um deles.
Porque foi um anjo que me apareceu, e sussurrou no meu ouvido, de modo que jamais poderia esquecer ou ignorar: "vem comigo, porque as utopias e ilusões também fazem parte da vida".
E agora, mais do que nunca, conheço os riscos dessa floresta. Sou consciente de que se algo der errado, provocará mudanças irreversíveis. Posso jamais voltar a ser grande. Posso me machucar nos espinhos das flores.
Mas, pensando bem, agora que deixei a razão do lado de fora da toca, quem disse que eu quero ser grande de novo?
Afinal, observe, os anjos sempre cuidam dos pequenos. E eu desejo fortemente, anjo, que você cuide de mim...
Essa sou eu, Aline, entrando no mundo de Alice, o mundo das maravilhas...
Essa é minha história hoje. Mas só hoje. Porque amanhã é um novo dia. E daí, amanhã, eu a reescrevo.
sábado, 10 de março de 2012
O novo que é simples
É fato. Não faço mais parte daquela que você conheceu ontem. Descobri prazeres simples que me me fazem mais feliz do que a complexidade de alguns sentimentos fugazes. Desejos mais óbvios do que aqueles que é preciso muito suor pra se comprar. Descobri imagens, sons, e sensações que fazem muito mais do que as palavras podem fingir dar. Percebi finalmente que viver, não é um eterno contemplar do futuro, em busca de sempre mais. Viver, é um eterno repousar no presente, sentindo cada vez mais.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Eu enquanto me perco de mim
Nostálgica, perdida de mim entre os muitos eus que preciso encarnar, fugindo de uma realidade que me torna humana, mas que arranca partes. Sentindo, o que me apercebe ser real, mas deixa cicatrizes. Assim vou eu, na incomparável aventura de existir, buscando no ar, na alegria de outrem e na inspiração dos que se foram, a força, a coragem e o entendimento para seguir em frente. Essa sou eu, Aline. Mas isso é hoje. Só por hoje.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Contraditório do sentir humano
Bem, ser racional é uma das premissas de ser humano. Mas sentir, definitivamente, é um privilégio de ser humano. Contraditoriamente, o sentir não pode ser determinado pela razão.
O corpo reage, as palavras ganham vida própria, os olhos falam sem sons. E tudo se torna diferente, num estalar de dedos, quando nos deparamos com o sentir.
O amor é um mistério insondável, encantador, supremo e indispensável.
O corpo reage, as palavras ganham vida própria, os olhos falam sem sons. E tudo se torna diferente, num estalar de dedos, quando nos deparamos com o sentir.
O amor é um mistério insondável, encantador, supremo e indispensável.
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